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Título: Batuques Ancestrais
Ano: 2011
Número: 030
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As diferenças entre a colonização protestante e a católica nas Américas repercutem nas culturas do continente até a atualidade. Nas colônias católicas de Espanha, Portugal e França os batuques dos negros, vistos talvez como manifestações ingênuas e inocentes, foram muitas vezes até incentivados. Enquanto isso, nas colônias inglesas e holandesas, essas práticas foram sempre entendidas como perigosas, incitadoras de rebeldia, sendo por isso reprimidas.
Tambores nas mãos, sob as axilas ou entre as pernas, os negros de Cuba, Haiti e Brasil, principalmente, recriaram uma enorme variedade de ritmos ancestrais, fazendo nascer os amplos complexos da rumba, do samba, da bambula etc. Em contrapartida, aos nossos parentes dos Estados Unidos e de algumas partes do Caribe, despojados de seus tambores, restou a teoria musical europeia, aprendida nos hinários batistas e pentecostais. Entretanto, o "vício" do tambor acabou por transformar galões de gasolina em sofisticados steel-drums; e até reunir num só conjunto a pancadaria das bandas militares para inventar o drum-set, a hoje indispensável "bateria". 
No caso brasileiro, a diversidade rítmica e suas origens revelam-se, de cara, nas africaníssimas denominações dos ritmos e dos instrumentos: samba, jongo, lundu, maracatu, ijexá, alujá, bravum. Já nos Estados Unidos, por exemplo, as origens são sempre difusas. Haja vista, hoje, com a difusão globalizada e mercantilizada do rap, o esforço que se faz para comprovar que essa forma de discurso ritmado tem origem, como parece ter, realmente na tradição dos griots da África ocidental. 
Este CD, " Batuques Ancestrais" é, então, uma pequena síntese do que queremos demonstrar, q eu é a variedade de ritmos que caracterizam a música popular brasileira, onde só encontram paralelo na música afro-cubana, e mesmo assim a uma certa distância. E que essa variedade nos veio, sem sombra de dúvida, na bagagem espiritual dos mais de 5 milhões de africanos trazidos cativos para o Brasil durante os tristes séculos da escravidão. Compreendendo a importância desse legado, Alfredo Galhões, músico competente e sensível, mergulhou no universo percussivo afro-brasileiro e transpôs para a pauta e para a "cera" os exemplos que apresentamos. Vivos, pulsantes, modernos. Prontos para deixar a incômoda casca do "folclore" e serem efetivamente legitimados como "música popular", aberta e da melhor qualidade.

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