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Título: Chutando o Balde
Ano: 2009
Número: 018
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O novo CD “Chutando o Balde” (FINA FLOR), com 16 faixas inéditas de autoria do próprio Nei, é exatamente isto: Nei chuta, literalmente, o balde. Inclusive na capa de Mello Menezes.

As letras são mordazes, mas bem-humoradas. O disco já começa com uma espécie de RAP que, na verdade, é um samba, mostrando que tudo gira, mesmo, é em torno do dois por quatro. Nei brinca com o pessoal que usa boné com pala pra trás e com aqueles que se tornam "sambistas" de uma hora pra outra. Mexe com a gíria boba da rapaziada descolada; com os artistas de araque; com as madames que agora freqüentam botequins e que já comem até gambá; e até (numa comovida crítica velada) aborda a transformação sofrida pela escola-de-samba do seu coração.

Tem também brincadeira com o amigo Toninho Gerais (autor de “Mulheres”, sucesso de Martinho da Vila), na sua “Deusas e Devassas” (“eu também já tive mulheres...”), que enumera personagens femininas da literatura e conta com a participação especial da cantora Sanny Alves. Pega pesado contra a colonização da cultura nacional no samba “Pombajira-Halloween”, em que retrata uma imaginária festa com "marafo long-neck e curimba (cântico ritual) em playback".

E o CD tem até mesmo um sambista abduzido no imaginário trajeto “Saracuruna-Seropédica”. E um índio esperto - Bugre Hugo - em “Bugre do Milênio”; incorporação de Rui Barbosa no samba de breque “Águia de Haia”; histórias de rufião em “Recordando Seu Libório”; relações amorosas bissexuais em “Ondina”, e por aí vai.

A direção musical privilegia o quarteto piano (Fernando Merlino), baixo (Zé Luiz Maia), bateria (Jorge Gomes) e violão (Ruy Quaresma). Lógico que tem cavaco (Alceu Maia), violão de 7 (Samara Líbano), pandeiro, tamborim, cuíca etc. (Marcelinho Moreira e Ovídio Brito); tudo, porém, cirurgicamente colocado. Em algumas faixas pode-se ouvir o tradicional naipe de metais das gafieiras cariocas, com muito improviso e suingue, nas orquestrações dos maestros Humberto Araújo e Ruy Quaresma, produtor do CD.

Os parceiros de Nei Lopes neste CD são Everson Pessoa, Magnu Sousá e Maurílio de Oliveira (todos do Quinteto em Branco e Preto), Ruy Quaresma, Cláudio Jorge, Luis Filipe de Lima, Dauro do Salgueiro e Luiz Fernando, também compositor salgueirense.

 

É, enfim, Nei Lopes em plena forma, aos 67 anos. Aliás, a mesma idade de vários de seus pares no panteão dos grandes autores da melhor música popular brasileira.

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