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Título: Luiz Eša por Diogo Monzo
Ano: 2017
Número: 077
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A vida pode ser insondável, não? Por um lado, nos rouba Luiz Eça - priva-nos de sua pessoa e de seu piano, e só nós, que o conhecemos e amamos, sabemos o rombo que isso deixou.

    Mas passam-se 25 anos da morte de Luizinho, e surge -espontaneamente, magicamente - um garoto chamado Diogo Monzo.

    Quem é ele?

    A resposta está aqui. Não acredito em bruxas, horóscopos ou reencarnações, mas, ao ouvir este CD, sinto que, em Diogo, vibram as mãos, o toque, o gênio de Luiz Eça.

 Ruy Castro

 

 

 

Luiz Eça (Luiz Mainzl da Cunha de Eça, 1936 – 1992), filho de mãe francesa e pai português, deu início aos seus estudos de piano aos cinco anos de idade e, em seguida, começou a estudar teoria musical. Nos anos de 1957 e 1958, estudou no Conservatório de Música de Viena, na Áustria, tendo como mestres os Professores Hans Graff e Frederich Gulda. Lá, foi contemporâneo e amigo de Martha Argerich.

Ao voltar ao Brasil, estudou com a professora russa Zina Stern, com Madame Petrus Verdier (que foi amiga de Debussy), Jacques Klein, Homero Magalhães, Lucia Branco, Heitor Alimonda (Quinderé, 2007 p. 165).

Sua carreira na música popular teve início em 1953, com apenas 17 anos, quando começou a atuar como pianista de casas noturnas e bailes de formatura no Rio de Janeiro por ser arrimo de família. Em 1955, aos 19 anos, lançou seu primeiro LP: ”Uma Noite no Plaza”.

Luiz Eça é frequentemente apontado como um dos mais importantes pianistas da música popular brasileira. Seu trabalho, reconhecido no Brasil e no exterior, compreende a formação do Tamba Trio em 1962.

Desde então, seu estilo tornou-se referência do piano, deixando um legado importante para a música brasileira, que foi registrado nos seus 29 discos, entre gravações com o Tamba Trio no Brasil e no exterior. Com uma forma peculiar de compreender a música, consolidou-se como arranjador, autor de trilhas sonoras para teatro, cinema e televisão, além de lançar trabalhos solos.

Orientou uma geração de grandes talentos da música popular brasileira. Como orquestrador, contribuiu com arranjos para os discos da carreira de Maysa, Milton Nascimento, Nara Leão, Gonzaguinha e vários outros artistas que fazem parte da antologia musical do país.

Sua música “The Dolphin”, gravada pelo pianista americano Bill Evans no álbum “From Left to Right,” em 1970, deu-lhe destaque internacional. Em 2002 foi lançado o CD “Reencontro”, em sua homenagem, reunindo neste trabalho, mais de 50 músicos - seus ex - alunos. Em 2004, Michel Legrand gravou no Brasil a obra do Luiz Eça, no álbum “Michel Legrand – Luiz Eça”.

 

 

Muitos se surpreenderam ao amanhecer do dia 25 de maio de 1992, quando os meios de comunicação anunciavam que, às 21 horas, do dia 24 de maio de um domingo iluminado por luzes outonais, partira Luiz Eça, o Luizinho Eça, grande personalidade brasileira, apagando as luzes e a voz dos pianos de todos os bares cariocas.

 

 

 

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